É DE BEBER OU DE PASSAR NO CABELO ?


Acho que a primeira vez que ouvi (li) isso, (ou algo bem parecido) foi em uma carta que recebi de minha amiga Susana, em sua temporada em Londres. Lá pelas tantas, ela me dizia que havia comprado um “produto” da Johnson, que era muito cheiroso mas, como ela pouco falava e lia de inglês, não sabia se o raio do produto era para passar no cabelo ou no corpo.


Dentre as suas peripécias, também narrava que sempre andava quilometros até achar o maldito número de determinada casa em Londres, já que a numeração está longe de ser algo razoável e compreensível por nós, colonizados...


Neste fim de semana, tive algumas conversas bastante interessantes. E também andei lendo alguns blogs que acompanho. Talvez por isso tenha tido a vontade de escrever sobre o tema envelhecer, tecnologia, e tudo aquilo que não entendemos num primeiro momento.


Sempre me considerei um cara “antenado”, que era capaz de acompanhar a ágil mudança dos tempos, a tecnologia que evolui e caminha em passos largos. Agora chegou a vez da nova geração... Euzinho, que recentemente passei para a versão 3.9, já estou me enquadrando, talvez, naqueles dinossauros da tecnologia.


Explico: já comecei a achar impressionantes, tecnologias como GPS, Wi-Fi, sistemas de identificação e etc... Nos meus áureos 20 anos, eu estudava, crescia junto com a revolução que a informática e a tecnologia lançavam no mercado. Era essa a minha diversão e era essa a minha profissão. Ria muito ao ver minha mãe, com seus 40 e poucos anos, tomando um baile do controle remoto do Video Cassete (a nova geração sequer vai saber o que é isso, né ?).


A internet surgiu no Brasil, na época em que eu trabalhava com informática. Lembro de meu primeiro e-mail enviado. Do meu acesso discado à internet, da versão dos navegadores jurássicos... Mas também, para que diabos alguém precisaria de um web browser ? Ninguém tinha site...


Hoje, as crianças já nascem chipadas, com antena wi-fi embutida e bluetooth habilitado e de fábrica. Com meia dúzia (ou menos) de cliques, posso localizar o meu carro. Pelo celular eu faço quase tudo e passo, literalmente, 24 horas do dia conectado de alguma forma com algum dispositivo eletrônico ou tecnologia que pode me achar, me perturbar e, é claro, alegrar e facilitar a minha vida.


Não. Não estou reclamando e nem sendo amargo. A idade (hahaha) não me impediu de achar graça e de ainda me apaixonar por todo e qualquer gadget eletrônico e cheio de luzinhas piscantes. Quero sempre mais. Sou compulsivo por tecnologia e acho que não vou me livrar disso nunca. Esse post é uma mera constatação de que saí da linha de frente. Dou passagem para a nova geração e espero que todos eles deem o devido valor aos recursos tecnológicos de hoje.


Para quem, como eu, ainda é do tempo em que computador não tinha janelas e nem tantas cores, celular era caro, grande e pesado e só(?) servia para telefonar em emergências, todos os recursos geniais de hoje em dia parecem banais aos mais novos. Acompanhando essa banalização, vem uma involução. A tecnologia deveria ser um avanço em todos os sentidos. Temos “on-line” uma série de recursos, livros, informações, blá blá blá. Quanto disso é usado pelos nossos usuários mais novos ? Quase nada, né ?


Agora estou sendo ranzinza... Precisamos estimular esse povo a se interessar pela cultura, pelo conhecimento. Não dá pra aguentar uma geração com 10 vezes mais recursos que os que nós tínhamos, escrever barbaridades e, como eu escrevi outro dia, fazer uma DEMOLIÇÃO ORTOGRÁFICA, e não a reforma como a que tivemos recentemente.


Certamente o título desse post, seria:


EH DE BBR OU DE PAÇAR NO KBLO ?


Lancemos uma campanha pra adotar um cyber-analfabeto! (será que tem hífen aqui ?) Vamos estimular todos ao uso correto da língua! Não sou nenhuma sumidade no vernáculo, mas quebro o galho. Vamos estimular a leitura (nem que seja on-line), a comunicação saudável, a discussão. A gente merece =]


Em tempo: A mesma mãe que tomava um baile com o video cassete, outro dia me pediu um roteador, para poder conectar o seu notebook à rede da casa de minha irmã, e compartilhar a conexão. Tomou ?


=]


Edu

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