
Fiquei embasbacado. Não consigo achar uma palavra que consiga definir meu sentimento, minha cara. Lá estava Giovana, olhando o tio, que àquela altura tinha menos palavras a dizer do que ela própria, com seus menos de três meses.
Por alguns instantes, estávamos apenas nós dois. Todas as outras 13 pessoas presentes desapareceram. Talvez seja uma ilusão boba, um fascínio que me deixou hipnotizado por aquele anjo que estava em meus braços. Talvez não. Talvez tenhamos estabelecido naquele momento uma ligação misteriosa. Quem sabe ela tenha conseguido enxergar em meus olhos mareados, o amor que sinto por ela, a minha vontade de acompanhá-la por toda a sua vida. Quem sabe ela entenderá, quando mais velha, que terá mais que um tio ou padrinho, mas um amigo uma pessoa com quem contar. Ilusão? Não sei. Existem mistérios que envolvem as relações. Mas é este o meu sentimento agora. À minha irmã Gabriela e meu cunhado Maurício, agradeço pelo presente. Que deram a si próprios e a toda a família. E já peço desculpas pelo estrago que vou causar... (risos) Que esse tio que vos escreve, vai ser coruja sim! E vai deseducar a sobrinha. Afinal, a nós tios, cabem as coisas boas da vida. Brincadeiras, dormir fora de hora, assistir filmes 40 vezes, cantar as músicas mais bobocas. Ganhar presentes fora de hora, aprender a falar cocô, xixi, bunda e rir sem parar quando ouvi-las.
Não precisar comer verduras no almoço, sujar a roupa sem culpa, voltar pra casa toda marrom, fazer maremoto na banheira. Ir ao cinema assistir desenho animado, comer um saco enorme de pipoca...
E te prometo, Giovana, que mesmo odiando circo (risos) eu te levo se você quiser.
Queria ter escrito algo poético ou que parecesse como tal. Saiu uma carta sentimental. De um tio coruja para uma sobrinha que só poderá ler isso daqui uns bons anos.
Te amo, minha sobrinha. Gabby e Maurício contem sempre comigo.
Beijos
Edu
=]


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